Quintal Ancestral promove atividades de valorização da cultura amazônica em Urumajó
Written by Redação on 16 de setembro de 2026
A comunidade de Araí, em Urumajó, no nordeste do Pará, passou a contar com um espaço dedicado à preservação da memória e dos conhecimentos tradicionais da Amazônia. Inaugurado em 22 de agosto de 2026, o “Quintal Ancestral: Cultivando Sabores e Saberes Araienses” inicia uma programação permanente voltada à educação patrimonial, à cultura alimentar e à valorização dos modos de vida da região.
Localizado na Reserva Extrativista (Resex) Araí-Peroba, o espaço é destinado a estudantes, professores, pesquisadores e visitantes interessados em conhecer as práticas culturais da comunidade.
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A próxima atividade está prevista para os dias 24 e 25 de setembro, quando será realizada uma nova edição da Imersão de Sabores e Saberes Araienses, com experiências relacionadas à identidade cultural e aos conhecimentos tradicionais dos moradores.
Espaço reúne construções e objetos da cultura local
Idealizado pelo antropólogo Miguel Picanço, o Quintal Ancestral foi desenvolvido em conjunto com os moradores de Araí, que participam da preservação e da transmissão dos conhecimentos associados ao projeto.
Inspirado nos antigos quintais amazônicos, o espaço reúne construções tradicionais, como uma casa de barro com teto de palha, uma casa de farinha, um rancho, um banheiro ancestral e uma sentina.
Mobiliários, utensílios e outros artefatos também integram o local, que busca apresentar a história da comunidade por meio da relação entre pessoas, território e práticas culturais.
A proposta é manter os conhecimentos tradicionais em circulação, permitindo que diferentes gerações tenham contato com técnicas, histórias e costumes que fazem parte da vida em Araí.
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Escolas poderão utilizar o espaço para atividades educativas
O Quintal Ancestral estará aberto à comunidade escolar de Araí e de outras localidades de Urumajó. A iniciativa prevê a realização de atividades de pesquisa, aprendizagem e experimentação, aproximando os conteúdos trabalhados nas escolas dos conhecimentos produzidos no território.
O projeto também prevê o diálogo com professores, pesquisadores e estudantes da Universidade Federal do Pará (UFPA), Campus Bragança.
A intenção é utilizar o espaço como uma sala de aula a céu aberto, na qual os participantes possam aprender por meio do contato com construções, objetos, alimentos, técnicas tradicionais e moradores da comunidade.
Produção de farinha e cultura alimentar
Uma das experiências previstas é o acompanhamento das etapas tradicionais de produção de alimentos derivados da mandioca.
Na casa de farinha, os visitantes poderão conhecer os processos de fabricação da farinha lavada, da farinha d’água e dos beijus, além dos utensílios utilizados durante a produção.
A atividade busca apresentar os conhecimentos envolvidos no beneficiamento da mandioca, que incluem técnicas de preparo, manejo do fogo, utilização da água e organização do trabalho coletivo.
Após as atividades, os participantes poderão compartilhar uma mesa com alimentos associados à cultura alimentar de Araí e da Amazônia, como avuado, virada de camarão, caranguejada, chibé, mingau de cruera, mingau de massa de mandioca, mingau de arroz vermelho, café com beiju e farinha com coco.
A programação também pretende demonstrar como a alimentação está relacionada à memória, aos costumes e às formas de organização social da comunidade.
Moradores compartilham conhecimentos sobre rios e manguezais
As atividades incluem rodas de conversa conduzidas por pescadores, mandiocultores, artesãos e outros moradores que detêm conhecimentos tradicionais.
Os encontros abordarão temas como pesca, coleta, rios, marés, manguezais, ciclos da natureza e influência da Lua sobre as marés.
A cultura da mandioca também será discutida, com destaque para seus diferentes usos, os processos de produção e sua importância para a alimentação e a economia das comunidades amazônicas.
A proposta é reconhecer os moradores como responsáveis pela produção e transmissão de conhecimentos construídos a partir da experiência cotidiana com o território.
Oficinas ensinam técnicas tradicionais de artesanato
O espaço também promoverá oficinas de tecitura de cofos, paneiros, abanos e outros artefatos tradicionais, conduzidas por artesãos da própria comunidade.
Durante as atividades, os participantes poderão conhecer e experimentar técnicas transmitidas entre gerações.
A proposta é que os objetos expostos continuem sendo utilizados nas atividades cotidianas, mantendo vivas as práticas associadas à sua produção.
Dessa forma, o Quintal Ancestral busca funcionar como um espaço de memória em movimento, no qual os utensílios, as técnicas e os conhecimentos permanecem vinculados à vida comunitária.
Produção tradicional pode gerar renda para moradores
Além das atividades educativas e culturais, o projeto prevê a comercialização de produtos elaborados no espaço, como farinha d’água, farinha lavada, farinha com coco, beijus, urucum e pimenta na salga de limão.
Os recursos obtidos com a comercialização serão destinados aos moradores envolvidos na produção.
A iniciativa busca relacionar a preservação do patrimônio cultural ao fortalecimento econômico da comunidade, criando condições para que os produtores continuem exercendo e transmitindo seus conhecimentos tradicionais.
Programação busca aproximar diferentes gerações
Com a participação de moradores, pescadores, mandiocultores, artesãos, professores, estudantes e pesquisadores, o Quintal Ancestral pretende ampliar o diálogo entre os conhecimentos tradicionais e as novas gerações.
A programação reúne atividades de educação patrimonial, cultura alimentar, pesquisa, convivência e geração de renda, com o objetivo de valorizar os modos de vida da comunidade de Araí.
O espaço também estará aberto a moradores de outras comunidades de Urumajó e visitantes interessados em conhecer as práticas culturais da Amazônia Atlântica.
A iniciativa busca manter a memória da comunidade presente no cotidiano, por meio da transmissão de técnicas, da preparação de alimentos e do compartilhamento de histórias e experiências.