Espetáculo “Travessia” conta histórias de vítimas de naufrágios no Marajó
Written by Redação on 26 de fevereiro de 2025
Em setembro de 2022 uma lancha clandestina que saía do município de Cachoeira do Arari, no Arquipélago do Marajó, naufragou deixando 22 pessoas mortas e um questionamento: quanto vale a vida de uma pessoa marajoara?
Foi partindo dessa indagação que o ator Miller Alcântara criou o espetáculo teatral “Travessia”, que conta as histórias de vida das vítimas dessa e de tantas outras tragédias fluviais envolvendo pessoas marajoaras. Após quase três anos de sua criação e apresentações solo em municípios do estado, “Travessia” ganha sua primeira temporada com apresentações gratuitas nos dias 26, 27 e 28 de fevereiro, no SESC Casa das Artes.
Para o criador do espetáculo, o ator Miller Alcântara, é importante que se faça uma reflexão sobre o quanto vale a história de vida, os objetivos e os sonhos de pessoas marajoaras. “Por ser de Soure, no Marajó, e entender que precisei fazer uma travessia para realizar o sonho de fazer teatro e de estar dentro de uma universidade, trago como minha primeira apresentação solo algo que discorre quem eu sou e sobre o que a minha arte fala. Por isso, no espetáculo, misturo o real e o ficcional para contar a história de pessoas pretas marajoara e exaltar a nossa cultura, usando não apenas a dramaturgia, mas também a visualidade e a sonoridade”, revela.
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O espetáculo é um solo, ou seja, somente Miller aparece em cena, contando as histórias e interpretando os personagens. Para além disso, há também a participação do público, que escolhe quais histórias serão contadas em cada sessão, ou seja, cada apresentação revela novas e diferentes histórias. A inspiração para a criação das histórias vêm da própria vivência do criador enquanto uma pessoa marajoara, mas também de amigos, familiares e conhecidos.
“Travessia fala sobre o que é ser uma pessoa do Marajó em todas as suas amplitudes. O processo de pesquisa das histórias foi feito de três formas principais: por meio de um projeto de audiovisual que eu fiz parte e que tratava sobre as pessoas que estavam dentro de lanchas que naufragaram, a minha pesquisa individual enquanto pessoa marajoara, ou seja, a minha vivência ao longo desses 29 anos, e também histórias de pessoas que eu conheço, como amigos e familiares. É um processo contínuo, porque à medida em que eu vou conhecendo novas pessoas e histórias, elas também podem ser acrescentadas como uma das histórias do Travessia”, explica Miller.
Apesar de já ter sido apresentado quatro vezes de forma isolada e em diversos municípios do estado, como Castanhal e Moju, essa é a primeira vez que o espetáculo ganha uma temporada com várias apresentações contínuas, no SESC Casa das Artes, em Belém.
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“Voltar ao Travessia é sempre muito gostoso, porque é um espetáculo que eu e a equipe que está comigo amam fazer. É meu primeiro solo, então é algo que é muito particular e fala muito sobre mim. O processo de volta aos palcos é sempre muito gostoso mas também muito desafiador, justamente porque é um espetáculo que está em constante transformação”, finaliza.
As sessões do espetáculo serão às 19h, com ingressos limitados. A distribuição dos ingressos gratuitos será feita uma hora antes do início da apresentação.