Cemitérios de Belém recebem ação de combate à dengue
Written by Redação on 27 de outubro de 2026
A Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) realiza, na manhã desta quarta-feira (28), uma operação de combate ao mosquito Aedes aegypti nos cemitérios Santa Izabel, no bairro do Guamá, e São Jorge, na Marambaia.
A iniciativa integra o Programa Municipal do Controle da Dengue e antecede o Dia de Finados, feriado marcado para a próxima segunda-feira (2), quando o fluxo de visitantes nesses locais costuma crescer de forma expressiva.
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Equipes de vigilância em saúde farão inspeções minuciosas nas duas necrópoles para identificar e eliminar pontos de acúmulo de água parada.
A fiscalização visa especialmente vasos, recipientes e qualquer objeto capaz de servir como ambiente de reprodução do mosquito. Em paralelo, os agentes distribuirão materiais informativos à população presente.
Por exemplo, os vendedores de flores que atuam nos cemitérios também receberão orientações específicas.
A recomendação da prefeitura é que comercializem apenas vasos com furos no fundo ou preenchidos com areia, medidas que impedem o estacionamento de água.
Já no feriado de Finados, equipes educativas estarão presentes nos locais para orientar os visitantes diretamente.
Casos de dengue sobem 32,7% em 2026
Os dados da Sesma revelam um cenário que pede atenção.
Entre janeiro e setembro de 2026, Belém registrou 1.261 casos confirmados de dengue, número que supera em 311 confirmações o total apurado durante todo o ano de 2025, quando foram contabilizadas 950 ocorrências.
Em relação às notificações, o contraste é diferente: a cidade acumulou 2.765 casos nos primeiros nove meses deste ano, contra 2.771 ao longo de todo o ano anterior.
A Sesma alerta, contudo, que a comparação exige cautela, pois os períodos analisados são distintos. Para uma análise precisa, é necessário cruzar os dados de janeiro a setembro de ambos os anos.
Calor amazônico favorece a multiplicação do vetor
O clima da região Norte é um fator adicional de risco. As altas temperaturas típicas da Amazônia aceleram o ciclo biológico do Aedes aegypti, com impacto direto nas fases de ovo, larva e pupa.
Pesquisas conduzidas no Brasil indicam que o inseto se desenvolve com maior velocidade em temperaturas entre 22 °C e 32 °C.
O calor também reduz o chamado período de incubação extrínseca, que é o intervalo necessário para que o mosquito se torne infectante após adquirir o vírus.
Em outras palavras, o inseto passa a transmitir doenças mais rapidamente em condições de temperatura elevada.
Esse efeito, porém, tem limites: temperaturas excessivamente altas prejudicam tanto a sobrevivência do mosquito quanto a replicação viral.
O fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial, pode alterar os padrões de chuva e temperatura na região.
Na Amazônia, essas variações climáticas somadas às práticas locais de armazenamento de água ampliam o risco de manutenção de criadouros.
Estiagem não elimina o perigo
Um equívoco comum é associar o risco de dengue somente à estação chuvosa. Na realidade, os ovos do Aedes aegypti mantêm viabilidade por vários meses em superfícies secas, fixados às paredes internas de recipientes.
No momento em que a água retorna ao local, os ovos eclodem e reiniciam o ciclo de reprodução.
Essa característica biológica torna a limpeza preventiva indispensável mesmo nos períodos de estiagem. Os itens que merecem atenção constante são:
- Baldes, garrafas, pneus e vasos sem furos deixados ao ar livre;
- Caixas-d’água, tambores e reservatórios domésticos sem tampa.
O que fazer para se proteger?
A Sesma reforça que a prevenção depende da ação coletiva. As medidas recomendadas incluem:
- Manter recipientes de armazenamento de água sempre tampados;
- Remover objetos que possam acumular água da área externa;
- Usar vasos com areia ou com orifícios no fundo;
- Verificar calhas, ralos e plantas como bromélias regularmente.
A dengue, a zika e a chikungunya são transmitidas pelo mesmo mosquito e representam riscos distintos à saúde.
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A eliminação de criadouros permanece a forma mais eficaz de reduzir a circulação do vetor e, consequentemente, o número de infecções na população.