Carol Ribeiro mostra cultura e belezas de Belém em programa

Written by on 4 de dezembro de 2022

Há muito que Carol Ribeiro transcendeu o mundo da
moda. Um dos rostos de maior sucesso entre as modelos brasileiras de expressão
internacional, a paraense é conhecida também do público que não acompanha as
catwalks: é presença certa nos tapetes vermelhos de premiações de cinema, onde
tem feito cobertura para o canal TNT. E foi dessa experiência que derivou outra
janela, à frente do programa “Mapa do Pop”, exibido no mesmo canal e caminhando
para a quinta temporada com Carol como apresentadora. No finalzinho de
novembro, ela voltou a Belém para gravar episódios especiais para a atração, em
que une temas como cinema, música, arte, cultura pop e viagens pelo mundo.

Alguns bastidores da viagem, em que aproveitou para
rever a família, os amigos e a cidade, foram parar em registros no Instagram,
dando uma pequena deixa do que vem por aí, daqui a cerca de cinco meses, quando
os novos episódios entrarão no ar. Já em São Paulo, em entrevista exclusiva ao
DIÁRIO via Zoom, Carol antecipou que a passagem por Belém deve render dois
programas inteiros na temporada em que ela ainda passa por Las Vegas e pelo
Grand Canyon – nos Estados Unidos – São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

“No programa a gente sempre conta um pouco da
experiência local aliada ao mundo pop. Em Belém, a gente gravou um episódio
sobre filmes da floresta. Fomos até a Casa do Celso, na Ilha das Onças, um
restaurante de uma família ribeirinha, em que o filho faz faculdade em Belém e
atravessa o rio. A gente está levando para as pessoas essa experiência de uma
família ribeirinha, tudo muito colorido, muito ‘kitsch’, conta como a gente
come açaí no Pará… Aliás, o açaí do Celso é o melhor que eu já comi na vida”,
elogia a modelo e apresentadora, que não dispensa a farinha de tapioca.

Falando ainda sobre filmes da floresta, Carol
entrevistou o influencer Rafael W. Oliveira e a atriz paraense Eunice Baía, que
estrelou as duas aventuras de “Tainá”. Ela ainda conversou sobre a experiência
da Negritar Filmes, produtora audiovisual paraense composta por pessoas negras
e focada em potencializar narrativas pretas, periféricas e da Amazônia.

“É uma turma jovem, que tem uma visão diferenciada
de arte”, diz Carol. “Tem outro episódio que a gente fala sobre a cena cultural
do Pará, em muitos artistas novos que falam do tradicional. É um pessoal muito
orgulhoso das suas raízes. Tem a cantora Aíla, a Roberta Carvalho, que é
artista visual, a Joyce [Cursino] do Negritar. Fomos numa festa de aparelhagem,
foi bem vasto”, conta Carol.

 











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REDESCOBERTAS

Carol nunca cortou a relação com suas raízes
paraenses. A mãe dela e grande parte da família continuam morando em Belém. Mas
a apresentadora concorda que descobriu muitas coisas novas na viagem recente.
Entre elas, essa efervescência da cena cultural local. “Saí com 15 para 16 anos,
então é muito tempo fora. Há um tempo, gravando o ‘It MTV’, fiz alguns
programas, eram cinco minutos de pérolas, assim, falando sobre Belém. Ali eu
tive um pouco essa impressão [do movimento cultural], eu falava sobre moda,
música, arte de rua”, relembra, sobre o programa que apresentou ao lado de
Janaína Rosa na extinta MTV.

Mas Carol diz que ainda pensava Belém “muito do
tradicional, no regional”. “Veio essa turma reinventar o que é nosso sem
esquecer o que é nosso, foi muito legal. É legal que eu passo isso também para
minha família. A gente tem muito a oferecer, a cultura amazônica é muito rica e
muito desconhecida no Brasil, nem falo de mundo. O carimbó, por exemplo: quando
era pequeno, meu filho foi numa festa de família e ficou surpreso quando percebeu
que a gente dança carimbó nas festas, porque para ele era uma coisa de
comemorações regionais, tipo de uma época do ano”, recorda.

Foi a prima Aíla que também foi responsável por
mostrar à Carol outra ideia da relação de Belém com o rio. “Ela me levou para a
Ilha das Onças, que eu não conhecia. Eu saí daí em 1995 e o Combu era muito
distante para mim. A gente ia num passeio da escola. Hoje tem o barco que vai e
volta, mas dependendo da classe social você conhece muito pouco disso”, destaca
ela, que não passou batida à tendência atual da canoagem na cidade.

VIDA DE MODELO

Aos 43 anos, Carol segue trabalhando como modelo
profissional. Mas agora também é empresária do ramo, e sócia da agência Prime
Model Management, ela leva a experiência de quem desfilou para grifes
internacionais como Gucci, Valentino, Yves St. Laurent e Victoria’s Secret para
auxiliar outras jovens no mundo da beleza e da moda.

Ela comemora a mudança no mercado que tem buscado
referências mais plurais de beleza, abrindo um caminho de mais possibilidades
para modelos da Amazônia, por exemplo. “Eu fico muito feliz que a gente tem
crescido como rosto. Quando comecei, eu era a única do Pará, da região Norte.
Tinha meninas do Nordeste, mas eram morenas de olho claro, tinha sempre um algo
europeu. Acho que tem a valorização das muitas belezas, alta, gorda, magra,
estamos ainda a passos muito lentos, mas sinto que essa mudança está chegando”,
diz Carol, que elogia a conterrânea Emily Nunes. “Ela é maravilhosa, fico de
olho nela.”

Outra paraense está no time representado pela
Prime, Malu Borcero, com quem Carol diz ter uma identificação. “Eu vejo ela
muito parecida comigo, no sentido de que ela terminou o Ensino Médio, tem uma
base familiar muito boa, porque a família não depende dela, então ela tem essa
vantagem de trabalhar com seriedade, mas sem o peso de ter que segurar a onda
da família. Ela está sempre estudando, indo a museus, vendo gente, e isso é
bom, porque você não sabe se vai para Londres de novo, se vai para Nova York
outra vez…”.

COM A COBRA VENENOSA

Na capital paraense, Carol Ribeiro veio atrás de
joias raras da cena cultural local que têm se destacado em suas atuações. Uma
delas é Priscila Duque com o grupo Cobra Venenosa, em Icoaraci, além de Joyce
Cursino e integrantes da Negritar Filmes.

“Nós fomos convidados pela produção do ‘Mapa do
Pop’ para participar do programa há um mês. Fizemos uma gravação no último dia
24 [de novembro], que seria um programa especial dentre as diferentes
manifestações culturais e artísticas que estão na cena da cidade, de cultura de
raiz com a pegada mais moderna. Então eles foram do brega ao carimbó”, conta
Priscila Duque.

A gravação que deve ir ao ar nos próximos meses, em
um episódio voltado para Belém, aponta Priscila. “Eu fui entrevistada sobre
essa questão de fazer carimbó na cidade de Belém em um trabalho que é feito há
7 anos. Além de falar das características do carimbó, nesse processo fluido que
o próprio ritmo tem caminhado, com uma estética mais urbana. Nisso, o projeto
da Cobra Venenosa se encaixa perfeitamente”, descreve.

Entre setembro ou outubro deste ano, Priscila conta
que viajou para o Espírito Santo na ocasião da 1ª Mostra Cine Maria (Vitória
-ES), que reuniu protagonistas do mundo do audiovisual contemporâneo.
“Estivemos lá com o curta ‘Flor de Mururé’, e ganhamos menção honrosa com ele
no Festival Mix Brasil (2021), o maior da diversidade na América Latina. Ao
longo dos últimos dois anos, temos associado o carimbó à documentação
ficcional, à poética, ao audiovisual experimental, e isso gera certa
repercussão e visibilidade fora do estado, associado ao nosso estilo de
carimbó, que tem nossa estética”, supõe Priscila.

“Essa repercussão, acredito que tem a ver, com o
nosso estilo que é bem diferente. Isso nos leva a esse lugar de produzir
carimbó raiz, mas em uma atuação muito presente e no tempo contemporâneo. A
gente vai para o raiz, volta ao ancestral com o pau e corda, mas pode ser lido
como afrofuturismo superautêntico, em uma estética livre”, descreve a
vocalista. “É uma arte engajada que fala desse movimento e que valoriza a arte
da Amazônia. Eu fico feliz de fazer isso”.


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