Capacitação destaca atuação psicológica no combate a violência contra a mulher
Written by Redação on 19 de agosto de 2026
Como a Psicologia pode atuar de forma ética, técnica e humanizada diante dos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher? Essa é uma reflexão central para estudantes e profissionais que atuam ou desejam atuar em contextos de proteção de direitos, justiça e políticas públicas voltadas às mulheres.
No mês em que a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) completa 20 anos, a Capacitação em Psicologia Jurídica – Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher: Teoria e Prática propõe um espaço de aprofundamento sobre os desafios, conhecimentos e estratégias necessários para uma atuação profissional qualificada diante de uma das demandas mais complexas da Psicologia contemporânea.
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A formação será realizada no dia 22 de agosto, em Belém, com o objetivo de aproximar os fundamentos da Psicologia Jurídica da realidade dos serviços que integram a rede de atenção e enfrentamento à violência contra a mulher, promovendo reflexões sobre gênero, relações de poder, direitos humanos, atuação interdisciplinar e práticas de atendimento.
A capacitação será conduzida pela psicóloga Crissia Cruz (CRP-10/04578), doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA), pós-doutoranda pela Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora na interface entre Psicologia Jurídica, violência contra a mulher e direitos das mulheres; e por Mislene Lima, psicóloga (CRP-10/01730) da Defensoria Pública do Estado do Pará (CRP-10/01730), com mais de 17 anos de experiência na atuação junto a mulheres em situação de violência em serviços especializados.
Para Crissia Cruz, compreender a violência doméstica exige ir além da ideia de que se trata apenas de um problema individual. Segundo a pesquisadora, as desigualdades de gênero e as relações históricas de poder influenciam a permanência das mulheres em contextos de violência e precisam ser consideradas na atuação profissional. “Quando perguntamos apenas por que a mulher não saiu da relação, corremos o risco de ignorar todo o contexto social, cultural e afetivo que sustenta essa violência. Enfrentar a violência não é apenas romper com um parceiro, mas lidar com uma construção social muito profunda”, afirma.
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A psicóloga também destaca que o atendimento às mulheres em situação de violência não pode ser realizado de forma isolada. Para ela, a Psicologia tem papel fundamental na articulação da rede de proteção e na garantia de direitos. “Nenhum profissional resolve sozinho uma situação de violência. É preciso atuar em equipe, conhecer a rede de assistência, saúde, segurança pública e justiça, e evitar que a mulher tenha que peregrinar de serviço em serviço repetindo sua história e sendo novamente revitimizada”, ressalta.
A programação foi estruturada para contemplar diferentes dimensões do fenômeno da violência contra a mulher, articulando conhecimento científico e experiência profissional. Para Mislene Lima, um dos principais desafios no atendimento psicológico às mulheres em situação de violência é oferecer um acompanhamento realmente especializado, fundamentado em uma perspectiva de gênero e interseccionalidade, capaz de romper com discursos e práticas que naturalizam a violência ou responsabilizam a vítima pelas agressões sofridas.
A psicóloga também ressalta que a formação em Psicologia Jurídica é essencial para qualificar a atuação profissional nos diferentes contextos da Justiça e da rede de proteção às mulheres. “A formação em Psicologia Jurídica qualificará o profissional para compreender os efeitos emocionais e comportamentais da violência doméstica, produzir documentos técnicos que instruirão processos judiciais e apresentar estratégias de intervenção para fortalecer emocionalmente a mulher e possibilitar sua autonomia”, explica.
O encontro abordará temas como violência contra a mulher e Psicologia Jurídica, estudos de gênero, rede de atenção às mulheres em situação de violência e relatos sobre a prática profissional, com foco nos desafios éticos, na atuação interdisciplinar e nas estratégias de atendimento e garantia de direitos.
A atividade será realizada no Auditório Urbe 14, localizado na Tv. 14 de Março, nº 1155, bairro Umarizal, em Belém, das 9h às 12h e das 14h às 17h.