Caso Giovanna Coelho: cirurgião e mais 3 médicos são indiciados por homicídio culposo
Written by Redação on 4 de setembro de 2026
A Polícia Civil do Pará concluiu nesta sexta-feira (4) a investigação sobre a morte da empresária Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, e indiciou quatro médicos por crimes relacionados ao caso. O inquérito aponta o médico cirurgião André Melo, anestesista César Collyer, e dois plantonistas como responsáveis pela morte da empresária.
Segundo as conclusões da investigação, os quatro foram indiciados por homicídio culposo majorado. O cirurgião plástico André Melo também foi indiciado por falsidade ideológica.
O caso ocorreu após Giovanna ser submetida a quatro procedimentos de cirurgia plástica em uma única sessão, realizada no dia 7 de agosto, em uma clínica particular de Belém. Ela morreu no dia seguinte, após apresentar complicações graves no pós-operatório.
Cirurgião também responde por falsidade ideológica
Entre os investigados, André Melo recebeu um segundo indiciamento. Além do homicídio culposo majorado, o cirurgião plástico foi apontado pela Polícia Civil como responsável por falsidade ideológica, conforme as conclusões do inquérito.
A investigação analisou a conduta dos profissionais envolvidos no atendimento da empresária antes da piora definitiva do quadro de saúde. Ele teria inserido dados falsos no prontuário da Giovanna após o falecimento da paciente.
O indiciamento representa a conclusão da autoridade policial sobre a existência de elementos que apontariam para a prática dos crimes investigados. A responsabilização criminal, porém, ainda depende das próximas etapas do processo e de eventual decisão da Justiça.
Médicos plantonistas são apontados por omissão no atendimento
Segundo a investigação, os dois médicos plantonistas teriam sido chamados para avaliar a paciente, mas não foram até o leito para realizar o atendimento.
A conduta dos médicos plantonistas foi considerada pela investigação ao analisar a evolução do quadro clínico da empresária durante a noite e a madrugada que antecederam sua morte.
A Polícia Civil também apurou as circunstâncias envolvendo os demais profissionais que participaram do atendimento de Giovanna.
Laudo apontou choque hemorrágico
A investigação ganhou um elemento importante com a conclusão do laudo do Instituto Médico Legal (IML), entregue ao delegado responsável pelo caso em 31 de agosto.
Segundo informações divulgadas pela família, o documento apontou choque hemorrágico provocado por intenso sangramento e síndrome compartimental abdominal como causas associadas à morte.
A síndrome compartimental abdominal ocorre quando a pressão dentro da cavidade abdominal aumenta de forma crítica, podendo comprometer o funcionamento de órgãos.
A combinação dos dois quadros foi apontada no documento médico-legal como causa da morte da empresária.
Giovanna passou por quatro procedimentos
No dia 7 de agosto, Giovanna foi submetida a uma cirurgia que reuniu quatro procedimentos:
- cirurgia nas mamas;
- abdominoplastia;
- lipoaspiração;
- enxertia de gordura.
O procedimento durou cerca de quatro horas. Após a cirurgia, ela permaneceu internada na própria unidade.
Conforme relatos apresentados pela família durante a investigação, Giovanna começou a sentir fortes dores e teve episódios de vômito após os procedimentos. Os familiares afirmam que os sintomas foram comunicados à equipe, mas que ela não teria recebido a avaliação presencial esperada naquele momento.
No dia seguinte, 8 de agosto, o quadro se agravou. A empresária perdeu a consciência, sofreu paradas cardíacas e precisou ser reanimada.
Uma cirurgia de emergência chegou a ser realizada na tentativa de reverter a situação, mas Giovanna não resistiu e morreu na noite daquele mesmo dia.